
As três forças da oposição representadas na Assembleia de Freguesia de Santo António aproveitaram as comemorações dos 460 anos da freguesia para reclamar mais respostas para problemas que consideram estar, ainda, por resolver, com particular incidência na habitação, nas acessibilidades e nas condições existentes nas Zonas Altas.
O tom mais crítico partiu de Nélson Ferreira, do Chega, que, apesar de reconhecer a existência de “algum investimento estruturante”, considerou-o “manifestamente muito pouco” perante a dimensão e população de Santo António. Acusou ainda quem tem governado de privilegiar uma “gestão corrente”, sem uma estratégia de médio e longo prazo para a freguesia.
Entre os exemplos apontados pelo Chega estiveram a requalificação do centro de Santo António, aguardada há vários anos, os problemas de acessibilidade em alguns caminhos, a degradação dos bairros sociais e as dificuldades sentidas nas Zonas Altas. Nélson Ferreira chamou, também, a atenção para a situação das margens da Ribeira Grande e para intervenções que considera inacabadas na zona industrial.
“Chega de promessas não cumpridas, chega de gestão corrente”, afirmou, defendendo que as zonas altas “também são cidade” e não podem continuar esquecidas.
Com uma intervenção menos crítica, o JPP assumiu-se igualmente como oposição fiscalizadora, mas disponível para colaborar com o executivo. José Sousa afirmou que Santo António tem potencial para ser uma freguesia “com mais ambição, mais dinâmica e maior capacidade para responder aos problemas reais das pessoas”, considerando que esse potencial não tem sido concretizado com a eficácia desejável.
O JPP prometeu manter-se atento ao cumprimento das promessas eleitorais, destacando a requalificação do centro de Santo António e a habitação, mas também os problemas relacionados com a mobilidade, transportes públicos e rede viária. José Sousa chamou particularmente a atenção para caminhos e estradas secundárias com problemas de “segurança, manutenção e limpeza”.
Já Gonçalo Jardim, do PS, colocou a tónica nas condições de vida da população e nas desigualdades dentro da própria freguesia. O socialista considerou que as Zonas Altas não podem ser “sinónimo de desigualdade no acesso aos serviços, à mobilidade e às condições de vida”, enumerando como prioridades os transportes, estacionamento, habitação, acessibilidades, espaços verdes e equipamentos sociais, culturais e desportivos.
Do lado do PSD, Plácida Silva defendeu o trabalho desenvolvido pelo actual executivo, destacando a proximidade com a população, os apoios sociais e a recuperação de habitações, as bolsas de estudo e outras medidas dirigidas aos jovens e às famílias.
A representante social-democrata lembrou, ainda, investimentos realizados ou previstos, entre os quais a requalificação do centro de Santo António e intervenções habitacionais, contrapondo às críticas da oposição que, apesar de ainda existir “muito por fazer”, o primeiro ano de mandato demonstra vontade de continuar a dar respostas aos problemas da freguesia.