
A Praça do Centro Cívico da Ponta do Pargo recebeu, este domingo, mais uma edição da Debulha do Trigo, iniciativa que voltou a reunir população e visitantes para recordar uma das mais antigas tradições agrícolas da freguesia e homenagear aqueles que, ao longo de gerações, fizeram do cultivo do trigo um importante meio de subsistência.
Promovida pela Casa do Povo da Ponta do Pargo, a recriação permitiu recordar uma época em que praticamente todas as famílias cultivavam trigo, garantindo uma parte significativa da alimentação do agregado familiar, sobretudo nos períodos de maiores dificuldades económicas. Do cereal resultavam alimentos essenciais, como pão, farinha, sopas, cuscuz e outras especialidades tradicionais que marcaram a gastronomia local.
A iniciativa recuperou também o ambiente de entreajuda que caracterizava a ceifa e a debulha. Proprietários, familiares, vizinhos e amigos reuniam-se para trabalhar em conjunto, transformando estas jornadas agrícolas em verdadeiros momentos de convívio comunitário.
Ao longo da recriação foi igualmente recordado que, no trigo, nada se desperdiçava. O grão destinava-se à alimentação, a saruga era utilizada para alimentar o gado durante o inverno e a palha servia para o enchimento de colchões, refletindo o aproveitamento integral desta cultura.
O evento permitiu ainda revisitar a história da freguesia, lembrando que o terreno onde hoje se encontra o Centro Cívico era, em tempos, um campo de cultivo de trigo pertencente ao Passal, realidade que continua documentada através de uma imagem preservada no interior da Igreja da Ponta do Pargo.
Foi igualmente evocada a ligação entre o trigo e a tradicional Festa dos Tabuleiros, cujas ofertas à paróquia simbolizavam o agradecimento pelas boas colheitas e pela abundância agrícola, tendo o trigo como elemento central.
Durante a iniciativa foi ainda recordado o importante papel desempenhado pelos antigos moinhos de água existentes na freguesia, onde o cereal era transformado em farinha. Embora atualmente estejam todos desativados, continuam a representar um valioso património histórico da Ponta do Pargo.
Com esta recriação, a Casa do Povo voltou a cumprir o objetivo de preservar a memória coletiva, valorizar o património agrícola local e sensibilizar as novas gerações para uma tradição que faz parte da identidade da freguesia, num dia animado pelo Grupo de Folclore da Calheta e marcado pelo reencontro com as raízes da comunidade.