
A XXIII Mostra & Concurso Gastronómico do Brigalhó realiza-se este domingo, dia 24 de Maio, numa organização da Casa do Povo do Curral das Freiras. O evento tem início marcado para as 9 horas.
A edição deste ano reforça a aposta na vertente criativa com a realização do Concurso Gastronómico, que atribuirá o Prémio Inovação Gastronómica e o Prémio Participação. O certame visa desafiar a criatividade dos participantes locais, estimulando a aplicação do tradicional tubérculo em novas propostas culinárias, demonstrando que a necessidade do passado despertou a criatividade humana para o futuro.
“O Brigalhó é muito mais do que um simples tubérculo, é um símbolo vivo da resiliência, da história do Curral das Freiras”, salienta Eugénio Vasconcelos, presidente da Casa do Povo do Curral das Freiras. “No passado, face ao isolamento e às extremas dificuldades da nossa população em obter alimentos, esta planta foi, por variadas vezes, uma alternativa para saciar a fome. Hoje, assumimos a missão de honrar esse legado, transformando uma herança de subsistência numa iguaria gastronómica altamente valorizada e motivo de orgulho para a nossa população”, assume.
Desconhecido da grande maioria do público e frequentemente confundido com o jarro, o brigalhó apresenta características únicas. Sendo uma espécie inteiramente silvestre, não necessita de ser semeado, sendo apanhado localmente nos meses de Abril e Maio. Contudo, o seu manuseamento e preparação exigem um saber fazer quase ancestral. Quando cru, não pode ser tocado sem luvas, dado que provoca forte irritação na pele, e apenas os seus tubérculos são comestíveis. “O método de cozedura é uma verdadeira arte de paciência e rigor, exigindo entre 14 a 16 horas de fervura contínua numa panela de ferro. Para apurar o sabor e eliminar a toxicidade natural do tubérculo cru, o fundo do recipiente é forrado com vides (videiras) e azedas, dispostas em camadas alternadas com o brigalhó, sendo depois temperado com sal e regado com água. Após estar devidamente cozido e descascado, o brigalhó é habitualmente consumido frito, temperado com alho e salsa, servindo de acompanhamento tradicional ao atum ou ao bacalhau. Actualmente, a sua versatilidade estende-se também à confecção de bolos e assume lugar de destaque como iguaria nas visitas pascais da freguesia”, indica.