
A freguesia de Santa Maria Maior assinala este sábado os 593 anos da sua instituição, datada de 26 de Setembro de 1433, com um programa comemorativo que se prolonga até 2 de Outubro. A sessão solene, realizada esta manhã no Centro Cívico da freguesia, ficou marcada pelo apelo do presidente da Junta, Celso Mendes, à resolução dos problemas habitacionais e à reabilitação dos bairros camarários de Santa Maria e do Canto do Muro.
Na intervenção, o autarca identificou a “escassez de habitação e os custos que lhe estão associados” como um dos principais problemas que afectam a freguesia, juntando-lhes as dificuldades de estacionamento em determinadas zonas, a necessidade de reforçar a limpeza de arruamentos e ecopontos e a construção de novas acessibilidades, bem como a melhoria das existentes.
Entre as prioridades apontadas esteve ainda a situação dos bairros camarários de Santa Maria e do Canto do Muro. Celso Mendes defendeu que sejam encontradas “as melhores soluções” para estes conjuntos habitacionais e que “não se adiem mais as suas efectivas reabilitações”, assim como as legítimas aspirações dos moradores a melhores condições de habitabilidade.
A sessão teve uma particularidade política: pela primeira vez numa cerimónia comemorativa do aniversário da freguesia, todos os partidos representados na Assembleia de Freguesia tiveram oportunidade de intervir. A presidente daquele órgão, Rubina Correia, destacou precisamente o espírito democrático existente na assembleia.
Em representação do presidente do Governo Regional esteve a secretária regional da Saúde e da Protecção Civil, Micaela Freitas, enquanto a Câmara Municipal do Funchal se fez representar pelo vereador do Urbanismo, Paulo Lobo.
Na sessão, o vereador da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Lobo, anunciou também um reforço superior a 25% dos contratos interadministrativos com as freguesias, correspondendo, no caso de Santa Maria Maior, a um total de 365 mil euros.
O autarca referiu ainda um investimento municipal de cinco milhões de euros na repavimentação de várias ruas do Funchal, incluindo artérias da freguesia, e de seis milhões de euros na requalificação de um edifício abandonado há 17 anos na Rua da Infância, junto à PSP, que deverá acolher serviços municipais, habitação e estacionamento.
A sessão ficou também marcada pela atribuição de distinções a personalidades e instituições ligadas à freguesia. A título individual foram homenageados, a título póstumo, o engenheiro Rui Vieira, e João Carlos Abreu.
No plano colectivo, a Junta distinguiu os Salesianos do Funchal e a Fundação Patronato de São Filipe, tendo sido salientada, em ambos os casos, a obra desenvolvida pelo padre Laurindo Pestana.
A história da freguesia esteve igualmente em destaque, através de uma intervenção de Graça Alves dedicada ao percurso de Santa Maria Maior ao longo dos séculos.
As comemorações prosseguem esta tarde, com uma missa solene às 18 horas na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, seguindo-se um convívio com animação musical no Centro Cívico.
O programa retoma a 1 de Outubro, com uma noite de fados no Forte de São Tiago, e encerra no dia seguinte com a entrega dos prémios dos concursos de literatura, pintura e fotografia promovidos pela Junta.
O aniversário ocorre num contexto político particularmente significativo para a freguesia. Santa Maria Maior foi, em 2021, a única freguesia do Funchal que escapou à vitória da coligação PSD/CDS nas eleições autárquicas que levaram Pedro Calado à presidência da Câmara Municipal do Funchal, permanecendo então sob liderança do PS.
Quatro anos depois, nas autárquicas de 2025, a coligação ‘Funchal Sempre Melhor’, liderada pelo PSD/CDS, conquistou todas as freguesias do concelho. Santa Maria Maior voltou, assim, a ter um presidente de Junta social-democrata, o que não acontecia desde 2013.
* Texto de Ricardo Duarte Freitas